domingo, 17 de janeiro de 2010

Me perco entre nuances de meu passado e meu futuro.
Em volto na névoa do passado a mulher que fui.
E como em um devaneio,
desses que se tem quando, com sono,
ficamos a pensar na vida até adormecer,
projeto a mulher que quero ser.
O que hoje vejo são brumas.
Ora densas quando a mulher presente é sobressaltada pelas dores passadas
que julgara meticulosamente escondidas onde não fossem mais sentidas.
Ora rarefeitas, quando projeto-me para o futuro e ele parece improvável.
A bruma ... o tempo.
O meu tempo.
Tempo findo
Tempo vindouro.
Tempo incessante.
E como é fácil perder-se no passado ou, utopicamente, projetar-se para o futuro. Ou ainda relacionar-se superficialmente com as pessoas, como se o tempo fosse um bem passível de ser desperdiçado.
A bruma de meu presente apresenta-se como uma linda menina,
cabelos loiros, a fitar-me com inquietantes olhos azuis,
sorrindo de soslaio, estendendo-me as mãos
em um convite urgente para brincar.
**********
Arthe

Um comentário:

  1. "Tempo findo. Tempo vindouro. Tempo incessante. E como é fácil perder-se no passado ou, utopicamente, projetar-se para o futuro. Ou ainda relacionar-se superficialmente com as pessoas, como se o tempo fosse um bem passível de ser desperdiçado. A bruma de meu presente apresenta-se como uma linda menina..."


    "Se cada dia cai, dentro de cada noite,
    há um poço onde a claridade está presa.

    Há que sentar-se na beira do poço da sombra
    e pescar luz caída com paciência."

    (Pablo Neruda)

    Beijos em você e na Lua!

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