terça-feira, 23 de junho de 2009

Realidade na veia


Aqueles acostumados aos meus textos regados a chopp com certeza estranharão este regado á antibiótico na veia.
O fato é que, aqui estática e dividindo o quarto de hospital com outro paciente não me vem outra inspiração que não seja o que estou sentindo.
Começarei por algo que me incomoda sempre que olho para a parede: uma cruz com um homem pregado nela. Não entrarei no mérito religioso da questão.
O fato é que tal imagem inerte, transpirando resignação frente a morte, está justamente ornando a parede de um lugar onde as pessoas estão lutando para sobreviver. Devia era ter quadros ilustrando a infância, época onde a fome de vida nos nutre.
Ao meu lado uma vovó de 80 anos, que mesmo usando a reza como uma forma de tentar adormecer e suportar a dor, preocupa-se comigo, com os meus olhos por estar escrevendo no escuro, com minha saúde e diz que vai orar á tal imagem por mim.
Mal sabe ela que sua lucidez e sua experiência de vida dividida comigo nesses dias tem na minha alma uma significância bem mais profunda que a tal afamada cruz.
Ela que não tem mais os sonhos da infância, nem os devaneios da adolescência e tão pouco os projetos da maturidade, me mostra que tem algo bem mais precioso: a vivência de que a vida é feita aqui e agora!
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Arthe

Um comentário:

  1. É isso aí, minha linda!
    Li ou ouvi em algum lugar que a morte é fácil, difícil é viver. Mas, com toda a dificuldade, que o que tenhamos de bom para fazer da vida, nela e por ela, que seja feito ontem.

    Adorei o post!

    Beijos nos dois átrios!

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