segunda-feira, 18 de maio de 2009

Odor palpável


Quantos perfumes formam a vida?

Já paraste para pensar?

Desde que nascemos odores nos conduzem..

Ao aconchego materno;

Ao seio lactente;

As guloseimas da infância;

Ao perfume inconfundível de um filho.

Feche os olhos e recorde-se!

Para cada sensação temos um odor:

o cheiro ocre da dor;

reconfortante da amizade;

esfumaçado da confusão;

a baunilha da alegria;

o odor tenso do medo

e o perfume denso do corpo exausto de prazer.

O cheiro de aconchego do café;

e de plenitude da grama molhada.

E o perfume do amor? Qual seria?

Esse é personalizado.

Cada um identifica no outro o odor que lhe falta.

E por vezes esse odor é tão inebriante que não conseguimos separar

o que é essência de alegria e o que é o ocre da dor.

Mas como viciados, o inspiramos.

Pois é vital que esse odor entorpeça não só o corpo,

mas também a nossa alma.


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Arthe


2 comentários:

  1. Aqui, pelas minhas 'bandas' um cumprimento comum é 'um cheiro'. É bem isso, o aconchego do aroma conhecido, íntimo, próximo à mente... um carinho.
    Tens cheiro de artiste e alma poeta.
    Amo tu, deusa amiga e doidivanas... o que seria de nós sem esse teu cheiro de criança?!
    Beijo

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  2. Ah! Os cheiros... Levam à tantas coisas boas, mas principalmente ao sabor, ao gosto na boca e a gente vai mordendo essas coisas boas mundo à fora, vida à fora, muitas vezes, sem nem nos darmos conta de que o estamos fazendo é usar os sentidos ("primeiros", primordiais, primitivos), para nos orientarmos no ambiente que nos cerca. Eles vão compondo nossa realidade...

    Adorando tuas concepções e forma de expressá-las.

    Beijo no átrio esquerdo!

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